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A proteção à vida e à integridade física é direito fundamental do trabalhador
Quem trabalha dentro das escolas percebe claramente que os professores estão cada vez mais sujeitos às doenças ocupacionais. Apesar de desprezada pelas autoridades, esta realidade é confirmada por vários estudos os quais indicam que as condições de trabalho afetam a saúde dos educadores. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera a docência como uma profissão de risco, principalmente em relação à saúde mental e estresse.
Ao mesmo tempo, os dados apontam que os docentes são os que menos se afastam do trabalho por motivo de saúde: eles trabalham mesmo doentes. Uma situação que potencializa os riscos e, no limite, pode levar a condições físicas que impossibilitem o exercício da profissão, como danos irreparáveis à voz, por exemplo.
O que muitas vezes encontramos no ambiente de trabalho é uma carga excessiva de tarefas, pressões e condutas abusivas por parte de pais, alunos ou patrões. Condições que colocam em cheque a integridade dos docentes e leva muitos à angústia, depressão, sentimento de incapacidade e por vezes sintomas físicos.
Entre os principais problemas detectados nas pesquisas estão os distúrbios vocais, dores crônicas (costas, ombros, pernas, cabeça etc.), esgotamento físico e mental e, sobretudo, danos à saúde mental do profissional, causados pelo estresse e pelo assédio moral.
A situação é mesmo alarmante. Por um lado, aumenta a expectativa e cobrança da sociedade em relação ao papel do educador, que excede àquilo a que o profissional tem condições e a função de cumprir. Por outro, a desvalorização do nosso trabalho, traduzida principalmente pelos baixos salários.

A proteção à vida e à integridade física é direito fundamental do trabalhador

Voz: nosso principal instrumento de trabalho
A voz é nosso principal instrumento de trabalho. Problemas com nossas cordas vocais podem comprometer o exercício da profissão. A falta de preparo vocal, as condições inadequadas de trabalho e o uso excessivo da voz são os fatores causais mais assinalados em pesquisas. Infelizmente, não são raros os casos de distúrbios.     
Os sintomas de desgaste das cordas vocais são os seguintes: 
- Enfraquecimento ou perda da voz no final do período diário de aula;
- Quebras na voz durante as explanações;
- Voz rouca por vários dias;
- Diminuição do volume da voz, gerando esforço para falar um pouco mais alto ou gritar;
- Voz mais grave do que no início da profissão;
- Necessidade de limpar a garganta, de pigarrear;
- Respiração curta enquanto fala;
- Dor ou sensação de queimação na garganta
- Esforço para falar;
- Tosse seca;
- Voz mais rouca na sexta-feira e boa qualidade após o descanso no final de semana.
O Diário da Classe preparou algumas dicas para você cuidar da sua voz. Mas elas não substituem a consulta a um médico caso você encontre os sintomas descritos acima.
1- Alimentação: A prega vocal é revestida por um muco. Se a viscosidade do muco for hidratada com frequência, não será preciso fazer tanto esforço para vibrar. Alimentos com efeito adstringente, como maçã, pêra e laranja fazem com que a secreção fique mais fluidificada. Além de hidratar, a mastigação da maçã exercita os articuladores da fala. Procure manter sempre uma garrafinha de água com você, de preferência em temperatura ambiente. Já derivados do leite, muito gordurosos e café não devem ser ingeridos antes das aulas porque provocam a desidratação do muco. Caso o professor tome um cafezinho no intervalo das aulas, por exemplo, ele pode compensar o efeito tomando depois água.

2- Manter uma boa postura: A voz ganha beleza pelo sistema de ressonância em que o sinal vindo da laringe é projetado. Quando uma pessoa está encurvada, com a cabeça dobrada ou ombro caído, a ressonância fica prejudicada.

3- Falar devagar: Quem fala sem movimentar a boca ou muito rápido faz mais esforço. Quem fala devagar, além de poupar a voz, favorece a compreensão por parte do aluno, mantém um controle maior da respiração e ganha amplitude.

4- Não comer muito antes de dar aula. Com o estômago cheio, a pessoa prejudica o movimento do diafragma.

5 - Nas aulas ao ar livre, o desgaste da voz é maior. Use apitos para chamar atenção, fale perto das crianças para dar ordens, organize antecipadamente a dinâmica para jogos, use megafone ou coloque as mãos em torno da boca. Mesmo para usar microfone é preciso conhecer a técnica vocal. Professor de Educação Física, procure executar as ordens separadamente dos exercícios

6- Fazer períodos de repouso da voz, especialmente para quem dá aulas de
manhã e à tarde. É importante ter intervalos com silêncio absoluto.
7 – Não grite!
8 - Evite fumar. Bebidas alcoólicas também são prejudiciais porque desidratam.

9 - Bebidas ou alimentos muito gelados devem ser evitados – a mudança brusca de temperatura altera a sensibilidade da laringe.

10 - Mudança brusca de temperatura no ambiente – seja pela presença do aparelho de ar condicionado, ou pela alteração do clima (mesmo motivo anterior). É importante fechar a boca e respirar pelo nariz, que tem todo um aparato para filtrar e aquecer o ar.

11 Pastilhas: elas podem até ajudar a diminuir a dor da garganta, mas têm efeito analgésico. Dor é sinal de alerta. Se ela for mascarada por balas, o professor pode forçar ainda mais a voz.

Dor nas costas é problema frequente
Pela longa jornada dos professores – frequentemente em mais de uma escola – a coluna muitas vezes é sobrecarregada. Resultado: a famosa dor nas costas, que em alguns casos pode ser sintoma de problemas graves.

Ao contrário do que se pensa, ficar muito tempo em pé não é tão danoso quando permanecer horas sentado. Isso porque a coluna tem uma função mecânica de dar suporte contra a ação da gravidade. Quando uma pessoa senta, a pressão sobre os discos da coluna aumenta 50% em relação à posição em pé. Inclinado para a frente, como ficam muitos professores para atender as crianças menores, a pressão aumenta ainda mais.

Para reforçar os músculos da coluna, é importante arrumar tempo para fazer atividades aeróbicas três vezes por semana (uma caminhada, por exemplo).  Esticar o corpo ao acordar e antes de sair da cama em um colchão firme, que não afunde, também contribui para evitar dor nas costas. Outras atitudes são importantes:

1 - Durante os períodos de aula, não fique sentado ou em pé o tempo todo. Alterne as posições.
2 - Se for sentar, mantenha um ângulo vertical, apoie as costas de forma reta na cadeira.
3 - Evite se inclinar para a frente. Se tiver de ficar na altura de uma criança, o ideal é flexionar o tronco e dobrar as pernas.
4 - Evite salto alto e dê preferência ao salto de plataforma, ao uso de palmilhas e sapatos macios, não apertados, com base larga para não machucar os pés.
5 - Reduza seu peso. Excesso de peso sobrecarrega a coluna.
6 - Faça exercícios de alongamento em casa.

Mas lembre-se: em casos graves, é fundamental o acompanhamento médico. Dores recorrentes ou desconfortos crônicos são um aviso de que há algo errado.

Síndrome de Burnout
A síndrome de Burnout (“Burn-Out”) se caracteriza pelo estresse crônico. Inicia-se com o desânimo e a desmotivação com o trabalho e pode culminar em doenças psicossomáticas, levando o profissional a faltas frequentes, afastamento temporário das funções e, em casos graves, exige a aposentadoria por invalidez.
Os sinais e sintomas nos estágios iniciais da Burnout são praticamente os mesmos do estresse e da depressão. Nesta etapa, ainda não há caracterização da síndrome, pois esta só se efetiva nos estágios mais avançado da doença.
Os Sintomas podem ser físicos (exaustão e fadiga), psicológicos (quadro depressivo e de irritabilidade) e comportamentais (o profissional evita os alunos e fazer contato visual). E tem como consequências mais comuns a apatia ou cinismo nos diálogos, dificuldade em desempenhar papéis, diminuição dos contatos sociais, negligência nos cuidados pessoais, entre outros.
O diagnóstico da Burnout só pode ser realizado por médico ou psicoterapeuta, levando em consideração as características peculiares das três dimensões da doença - o esgotamento emocional, a despersonalização e o envolvimento pessoal no trabalho.
O tratamento adequado exige e depende da avaliação correta para diferenciar o quadro da Burnout de outras psicalgias como estresse e depressão, por exemplo.
A síndrome de Burnout, a partir do Decreto Lei 6042/07, é qualificada como doença profissional.  O professor que tiver diagnosticado esta síndrome deverá procurar o posto da Previdência Social, e dar entrada no pedido de afastamento do trabalho. Quando reconhecida a síndrome, o professor terá direito a entrar em benefício de auxílio doença por acidente de trabalho e desfrutar de estabilidade acidentária de 12 (doze) meses a partir do momento em que retorne ao emprego.